Atafona é uma moenda de cereais, mais comum, de milho. Concebida para funcionar com tração animal, podia ser movida pela força motriz de uma  roda-d'água, alimentada por uma represa. Essa atividade inspirou o nome atribuído à localidade rural distante 10 Km a Leste da sede do município de Lontras-SC, na velha estrada Rio do Sul-Blumenau. Dista 23 Km de Rio do Sul e 90 Km de Blumenau. O clima é subtropical mesotérmico úmido e a temperatura média anual é de 18ºC.

       O local escolhido é cortado pelo Ribeirão Atafona, distante 2,5 Km do Rio Itajaí-Açú e do leito da antiga Estrada de Ferro Santa Catarina.Por essa proximidade à antiga EFSC é que nos levou a acreditar de que seria o lugar ideal para acolher nosso projeto. É o apego e a paixão perene de quem tanto viajou serra abaixo e de volta para Rio do Sul, nas  composições da maria-fumaça. As corredeiras do Rio Itajaí-Açú na serra de Subida, em Apiúna-SC, é uma das mais belas paisagens do planeta.

       Esse imóvel rural, uma porção com 204.000 m2 de Mata Atlântica,está sob nossa tutela. Adotamos por amor e o cultivamos por apreço à mãe terra. Um lugar sagrado. Um sonho de viver próximo à natureza: flora e fauna - onde acreditamos encontrar a paz e a tranqüilidade almejada ao nos aproximarmos das plantas e animais. Já havíamos tentado antes em Albertina, Rio do Sul - SC, com limitações. Agora, com mais experiência e amadurecidos, estávamos convictos de que a hora havia chegado.

       Não é o sítio de cachaça, churrascos e festas. Destina-se à meditação. O trabalho de organização, o cultivo com respeito à sustentabilidade faz, desse lugar, uma oficina do espírito. O suor e a reposição pela água cristalina da fonte, depura o sangue e clareia as idéias. Constitue-se em uma divertida sessão de análise. A trilha sonora das centenas de espécies de aves, entusiasma. O murmúrio suave das corredeiras do Ribeirão Atafona é uma cantiga de ninar. Nos faz crianças. O vento, na copa das árvores, completa a sinfonia.

       Criamos o verbo atafonar. Pela acepção antiga, triturar o milho. Hoje, significa paz e plenitude. Estar feliz.

Lontras, fevereiro de 2006

Augusto José Hoffmann        Sirlei Neris Hoffmann